Estou aqui agora e não sei até quando estarei. É sempre assim vazio, sombrio, sem sentido algum, que sentido era pra ter? Eu continuo seguindo o caminho e não tenho nada pra dizer.
Eu só não queria machucar as pessoas a minha volta. Eu as vejo chorando, sangrando e de um modo ou de outro, eu me culpo por isso. Horas de terapia não servirão para grande coisa, há algo errado aqui. Não tenho sido sincera comigo, nem sei mais como ser sincera comigo. Pra falar a verdade, num soube quem fui, como poderia ser sincera? Esses turbilhões de confusões, essas milhas que me separam da sanidade, eu não escolhi estar aqui. Tão longe de algo que possa ser confortador, tão londe de algo que possa ser ao menos bom.
É assim, um belo dia você acorda e já não se reconhece no espelho. Vai ver foi as porradas que você levou dessa merda de vida que te fez ficar assim. Então você já não precisa de mais nada, na verdade você precisa de tudo. Porque você é vazio, você é oco, você é o buraco que ninguém pode tampar com nada. Então mesmo que tentem de todas as formas sanar essa ferida imensa que te corroe de dentro pra fora, todo esforço será em vão.
Mas sei lá. Tente, tente ver o sol a cada amanhecer, tente olhar as flores, tente pensar que a vida é bela, tente dançar, tente ver a beleza nas pequenas coisas. E então se esqueça de tudo que o mundo te cobra, assim talvez seu ilíaco se torne um pouco menos importante.

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